Veja também

Chile no Verão – 5 dias em Santiago

Olá, amigos viajantes, tudo bem?


Comigo tudo ótimo, novo ano, novos desafios, novas experiências, novas viagens!!! Por falar nisso, encerrei 2019 e iniciei 2020 em uma viagem. Viagem essa que vou contar agora. Escolhi passar meu Reveillon no Chile e essa trip rendeu muitas histórias para contar. Ô se rendeu!!! rs


Para começo de conversa, quando pensamos em Chile o que nos vem à cabeça é o frio, a neve, as pistas de esqui, essas coisas típicas do inverno, não é mesmo? Afinal, o país é um dos destinos mais procurados durante a estação mais fria do ano, mas o Chile também tem muitos atrativos durante o verão, e é bem interessante também.


E também escolhemos passar a virada de ano lá, pois lendo sobre, vimos que era diferente, que as pessoas não costumam usar branco, que não tem muito a tradição de soltar fogos, que as pessoas usam fantasias e adereços, tipo o nosso carnaval aqui no Brasil, mas... Não conseguimos ver muito isso por conta das manifestações*.


* Leia uma matéria que saiu logo após o Reveillon e que resume um pouco do que acompanhamos por lá: matéria da Folha de São Paulo


Bem, só para contextualizar um pouco, eu e minha amiga Tamires havíamos programado a viagem e comprado as passagens e tudo mais, antes de começar tudo isso no Chile. Quando começou, e começou de forma bem surpreendente em TODO o país, ficamos um pouco receosas, pois as notícias que chegavam não eram boas, mas eu tinha esperança que até o final do ano as coisas já estariam resolvidas. Mas não estavam. Na verdade até estava um pouco mais tranquila a situação, só que nós ficamos EXATAMENTE onde tudo acontecia. Ficamos do lado da Praça Itália (a Praça Baquedano), que é o local onde tudo inicia. A imprensa chama de “ponto zero” do movimento. E por isso, vimos e passamos por muitas coisas por ali.


Ao longo do texto eu vou contando mais sobre as manifestações e como foi estar lá durante esses atos.


A ida


Nós fomos no dia 27 de dezembro, mas como o voo era 4h30 da manhã, podemos considerar que a vigem começou dia 26, já que nem dormimos hehe. O voo de ida teve duas conexões, em São Paulo e também em Assunção, no Paraguai. O tempo das conexões foi bem curtinho, por isso tivemos que apertar o passo, principalmente no Aeroporto de Guarulhos, pois o embarque foi bem longe de onde desembarcamos. Mas deu tudo certo, apesar de ser bem cansativo. Ainda bem que o voo de volta seria direto: Santiago > Florianópolis.


Floripa Airport - Iniciando mais uma viagem

Amanhecendo sobre dos nuvens


Chegando no Chile


Não tem como não se encantar com a chegada por lá. Da janelinha do avião você tem uma visão linda das Cordilheiras do Andes – fiquei só imaginando como deve ser no inverno, cheio de neve <3 – Mas mesmo nessa época, é de tirar o fôlego.


Cordilheira dos Andes pela janelinha do avião


Ah, um dica: acredito que a melhor visão na ida, é sentar na janelinha do lado direito do avião. E na volta, no lado esquerdo. Nós tivemos a sorte de estar nesses lugares, e a vista foi incrível.


Imigração


Bem, o processo já inicia dentro do avião. Nós recebemos um formulário da aeromoça, bem simples para responder. Lá você preenche com seus dados e também se está levando algo que tenha que declarar. Já preencha durante o voo e leve com você. Esse papel você vai entregar na saída do aeroporto. Vai ter um agente lá pedindo o papel para você.


Na imigração você vai pegar a fila de estrangeiros e, pra gente, foi bem tranquilo. Só conferiram nossos passaportes e perguntaram o endereço de onde ficaríamos por lá. Importante também dizer que a Policia de Investigaciones de Chile (PDI) entrega um documento de autorização para permanência no país, e você terá que entregar na volta. Portanto guarde bem rs. Esse documento nós também tivemos que mostrar no hostel para ficar isentas dos 19% que os Chilenos têm que pagar. Mostrando esse papel e pagando com dólar ou cartão, nós ficamos livres desse pagamento. Pelo menos essa é a política do hostel que ficamos. Não sei se é assim em todos.


Chegando em Santiago - Imigração

Saindo do Aeroporto de Santiago


Existem algumas maneiras de sair do aeroporto e ir para o centro da cidade, por exemplo. Mas nós optamos pelo meio mais barato (e também o mais demorado), mas foi bem de boas, viu! Se você não estiver muito cansado(a) e com malas não muito pesadas, eu super recomendo fazer o trajeto com o transporte público mesmo. Vai economizar alguns pesos chilenos. Ahhh, por falar nisso...


... Trocar dinheiro no Chile


Então, nós trocamos um pouco de dinheiro ainda no Brasil. Pesquise em sua cidade, uma casa de câmbio que tenha Pesos Chilenos e troque apenas o necessário para você fazer o deslocamento, comer ou comprar alguma coisa, se for necessário. Depois você pode trocar o restante do dinheiro nas casas de câmbio espalhadas pelas ruas Agustinas e Moneda. Tem vários estabelecimentos por lá e a cotação é bem melhor.


Casas de câmbio em Santiago


Se você levar em torno de 30 mil pesos, já é suficiente para esse primeiro momento. Vou contar o que gastamos:


Ônibus aeroporto: 1.900

Bilhete do metrô: 10.000 (cartão + carga)

Chip celular: 2.000

Água: 500


Continuando...


Bem na frente do Aeroporto Internacional Comodoro Arturo Merino Benítez, em Santiago, você vai ver alguns ônibus da Turbus ou Centropuerto. Nós escolhemos o da Turbus e compramos no guichê uma passagem, somente de ida (valor de 1.900 pesos chilenos). É bem tranquilo.


Guichê para a compra do bilhete do ônibus


Do busão, nós descemos na Estação Pajaritos. É bom ficar de olho pra não passar desse ponto, geralmente muita gente desce por ali. Mas é bom perguntar para alguém antes e tal, só para se certificar. Até porque no nosso ônibus não tinha nada avisando o nome das paradas, como tem em alguns países. Nós só perguntamos para o motorista antes de embarcar e ele nos respondeu que era a “terceira parada”, mesmo assim confirmamos com um passageiro para saber se estávamos descendo no lugar certo hehe.


Estação Pajaritos


Na Estação Pajaritos, procuramos o local para comprar um cartão do metrô, que custa 1.550 e fizemos uma carga com 8.450, ou seja, entregamos 10 mil Pesos Chilenos, compramos o cartão e pedimos o “resto” de carga. É bom não colocar muito, pois não é reembolsável – no nosso caso, sobrou quase 4 mil pesos, que vai ficar para uma próxima viagem por lá hehe.


O cartão do metrô de Santiago


Com o cartão em mãos, nos informamos qual a direção pegar do metrô para descer na Estação Baquedano, que era a mais próxima do nosso hostel (mas já vou contar o que aconteceu...). Ah, o cartão basta você passar ele no sensor da catraca e pronto. Ali no visor aparece quanto você tem de crédito.


Eu falei que deveríamos descer na Baquedano, né? Pois bem, quando estávamos chegando, já prontas para descer, o metrô passou direto nessa estação. Ops... Depois descobrimos que essa estação está fechada, pois foi destruída durante as manifestações... O que foi uma pena, pois ela é do ladinho do nosso hostel, mas enfim... Nós descemos na seguinte, pegamos o metrô do outro lado, para descer na estação anterior, que era a Universidade Católica.


Tamires e eu na primeira "voltinha" de metrô no Chile rs


Chip para o celular


Já vou aproveitar para falar sobre isso, pois foi lá na estação de metrô mesmo que resolvemos a nossa vida das redes sociais hehe.


Eu tinha lido para comprar um chip da Claro, que era bom, mas no primeiro quiosque que enxergamos a palavra “chip” não tinha o da Claro, tinha um chamado “Tu Chip, prepago Movistar”. Pagamos 2 mil e ele tem Redes Sociais livres (maravilhoso) + 2 GB + 200 min. Foi ótimo. Usamos bastante durante os 5 dias. Eu sempre peço para o atendente instalar o novo chip no meu celular, assim já confiro na hora se está funcionando. É bom fazer isso.


Onde ficamos


Como sempre, pesquisei um lugar que fosse bem centralizado, com facilidade para o transporte público, no caso o metrô, com boas avaliações no Booking, enfim, encontrei o Hostel Merced 88 . E ele realmente tem tudo isso, com bom preço, bom chuveiro, boa cama, bom terraço com eventos, um ótimo atendimento, mas INFELIZMENTE, UMA PENA mesmo ele está no meio de onde é o ponto mais alto das manifestações.


Eu super indico sim esse hostel e tenho certeza que quando tudo isso for resolvido, é um ótimo lugar para você ficar quando for para Santiago. Nós fizemos quase tudo a pé mesmo (até por isso sobrou bastante crédito no nosso cartão do metrô hehe), mas sim, ficamos no meio da manifestação, inalamos bastante gás lacrimogêneo, mesmo dentro do hostel, já que tudo acontecia em volta. Nas nossas janelas eles protegeram com tapumes, mas mesmo assim dava para ver e ouvir tudo. As noites não eram silenciosas. Parecia que tudo estava rolando dentro do nosso quarto mesmo. Tivemos alguns “problemas” para entrar e sair do hostel... Mas não desanimamos, não. Até depois quero encerrar o post falando sobre os “perrengues” de viagem, que é impossível não ter e em como não deixa-los atrapalhar e estragar a viagem.


E sobre o Hostel Merced 88, eu voltaria tranquilamente, mesmo com tudo isso que passamos e acompanhamos. Fico na torcida que o povo chileno consiga os seus objetivos e que tudo volte ao normal nesse país que é tão lindo e um povo muito acolhedor. Sim, fomos muito bem recebidas em todos os lugares que passamos. Então, de coração, espero que tudo isso seja resolvido logo.


Primeiros passeios em Santiago


Depois do check-in, de um bom banho, fomos bater perna por Santiago. Primeiro em direção a Rua Agustinas ou Moneda para trocar o dinheiro. Trocamos e por ali já aproveitamos para conhecer alguns pontos turísticos da capital chilena. Passamos pelo Paseo Ahumada e Calle Bandera, com muito comércio, movimento e a famosa rua colorida do centro de Santiago.


Paseo Ahumada e Calle Bandera

Seguimos para a Plaza de la Constituicion, onde está o Palácio de La Moneda, que é a sede do governo chileno, mas que só pudemos ver de “longe”, pois eles fecharam o acesso com grades e com presença de segurança por conta das manifestações.


Plaza de la Constituicion e Palácio de La Moneda

Passamos pela Plaza de Armas, tiramos fotinho no letreiro de Santiago e conhecemos a belíssima Catedral Metropolitana. Que é linda, linda, linda!!!


Letreiro Santiago

Catedral Metropolitana


Após fazer o “reconhecimento” da região central de Santiago, fomos para o Sky Costanera.


Sky Costanera


Programamos para ver o fim de tarde de lá, do mirante mais alto da América Latina. E a vista de lá é SEM IGUAL!!! Você vê toda a cidade de Santiago e a Cordilheira dos Andes de um lugar bem privilegiado. Vale super a pena esse passeio.


E sabe que nós tivemos sorte? Pois bem, quando chegamos lá na bilheteria, ficamos sabendo que tinha uma promoção de dois bilhetes por um. Ou seja, o valor que seria de 15 mil pesos chilenos para cada uma, nós pagamos esse valor para as duas. Essa promoção era válida até dia 31 de dezembro de 2019. Quase não gostamos, né? rs


Entrada do Sky Costanera


Para chegar lá: Pegamos o metrô até a estação Tobalaba, que fica bem próxima do Costanera Center. Saindo da estação é só caminhar um pouquinho.


Entrando nesse prédio você vai descer um lance de escada para chegar até a recepção do Sky Costanera, lá você adquire o bilhete e segue para o elevador que vai te levar para o 61º andar (são dois andares que você pode visitar: o 61º e o 62º). O elevador sobe muuuuuuito rapidinho hehe.


Chegando lá em cima, a visão realmente te deixa sem fôlego, é fascinante mesmo. Aquela visão de 360º graus, que você vai escolhendo a melhor vista para apreciar e tirar fotinhos, ou seja, você tira muita foto hahaha.



Eu falei que era nosso dia de sorte, né? Pois além da promoção dos ingressos, também tinha degustação de vinho e espumante da Undurraga, que eu me apaixonei, virou minha preferida rs, além de um som, ao vivo, com saxofone e tudo. Um clima deliciosamente delícia.


Pra fechar a nossa visita por lá, optamos por jantar no Hard Rock Café, que fica no piso térreo do edifício. Recomendo fortemente.


Hard Rock Café


Nosso retorno para o hostel e uma certa aflição...


Aqui nós tivemos o primeiro contato real com a manifestação! Pois bem... Quando saímos do Hard Rock, queríamos pegar um Uber, já que estávamos bem cansadas, de viagem, da noite sem dormir e tudo mais... Só que quando tentamos solicitar um carro, dava erro. Tentamos de todo jeito e nada. Descobrimos o motivo depois...


O jeito foi ir de metrô. A estação Tobalaba fica na mesma linha, a vermelha, que a que teríamos que descer, a Universidade Católica, já que a Baquedano não estava operando. Só que no meio da viagem, ouvimos o anúncio que a próxima parada seria somente na Moneda, ou seja, 6 estações distante do nosso hostel, “pulamos” 6 estações, todas fechadas. E sabe o motivo? Sentimos isso logo depois, pois “do nada” veio gás lacrimogêneo dentro do trem. Uma menina correu para fechar a janelinha que estava aberta e ali entendemos o que estava acontecendo. A manifestação estava viva e acontecendo naquele momento.


Quando descemos na Moneda, ainda tentamos solicitar Uber, mas não deu. Eles realmente não estavam fazendo viagem para aquela região que estávamos hospedadas. Respiramos fundo, mas nem tanto por conta do gás e fomos. Caminhando mesmo. Ao longo do caminho, percebemos um misto pelas ruas. Ao mesmo tempo que encontrávamos um idoso passeando com cachorrinho, uma criança com os pais, também tinha os manifestantes, com seus gritos de protestos, máscaras, pedras... Enfim, um contraste bem marcante. Mas nos sentimos seguras.


Somente quando estávamos próximas do nosso hostel é que nos apavoramos um pouco. Já bem perto da praça o número de manifestante era muuuito maior (lendo notícias depois, soubemos que eles haviam programado uma manifestação grande para a última sexta-feira do mês e que, infelizmente, um manifestante morreu nessa noite, bem na esquina do nosso hostel, praticamente embaixo da nossa janela... Bem triste). Então, nesse momento que vimos essa grande massa, uma bomba foi lançada para o alto, praticamente na nossa direção, tivemos que sair correndo. Já na rua do nosso hostel, lançaram gás lacrimogêneo muito forte e foi meio desesperador, pois já era tarde e a porta do hostel estava fechada, era nosso primeiro dia ali e eu não tinha certeza se teria alguém na recepção nesse horário (já era mais de 10 da noite), bati na porta e nada. Ali eu fiquei com medo. Mas logo depois o recepcionista nos atendeu. Ufa. Sim, tem atendimento, mas na hora, apavoradas, pensei que ficaríamos do lado de fora. Foi uma aventura e tanto.


Durante toda a noite não conseguimos dormir direito, os caminhões de bombeiro trabalharam durante toda a madrugada. E era um barulho ensurdecedor. Ah, do lado da nossa janela, também, um prédio pegou fogo.


Bem, isso foi o início da nossa viagem para o Chile. Vários acontecimentos, heim?!


O 2º dia no Chile


Acordamos cedo, pois a programação desse segundo dia foi o litoral: Valparaíso e Vinã del Mar.


No caminho entre o nosso hostel e a estação de metrô, nós fomos olhando tudo em volta, e é uma pena toda essa situação, a cidade está bem destruída, quase tudo pichado, quebrado, queimado... Vários prédios e igrejas queimadas (triste, triste), monumentos de praça quebrados e pichados, calçadas quebradas, estações de metrô também destruídas... É um cenário bem lamentável :( Como já falei, espero que essa situação seja resolvida o quanto antes, de coração.


Ah, Chile...


Para ir até Valparaíso e Viña del Mar


Povo, aqui já vou deixar um sugestão: melhor fechar com empresa de turismo mesmo, se você fizer somente um bate e volta, como foi o nosso caso. Nós iríamos fazer esse passeio por conta e não foi bem assim...


Nós fomos até a estação Pajaritos e de lá pegamos um ônibus com destino a Valparaíso. Tem algumas empresas que fazem esse trajeto. Nós optamos pela Turbus novamente. A viagem leva, em média, 1 hora e meia.